1. Introdução: O Problema Concentrado nos Milímetros Finais

Entre todos os cenários do cálculo de lente intraocular (LIO), o olho curto ocupa uma posição peculiar: é uma minoria na fila cirúrgica e uma maioria desproporcional nas surpresas refrativas. A literatura adota, em geral, o limiar de comprimento axial (AL) abaixo de 22.00mm para definir o olho curto, e é consistente em demonstrar que a precisão de todas as fórmulas decai nessa faixa, com tendência sistemática a erros maiores do que os observados em olhos de dimensões médias.1,2

O problema não é novo. Já em 1993, Hoffer demonstrava que o comportamento das fórmulas depende do segmento de comprimento axial, e que o olho curto exigia tratamento próprio da posição da lente, dando origem à recomendação clássica da Hoffer Q para essa população.3 Quase duas décadas depois, a análise de 8108 olhos de Aristodemou e colaboradores consolidou essa prática, recomendando a Hoffer Q para olhos de 20.00 a 21.00mm no cenário das fórmulas de terceira geração.4 A geração atual de fórmulas mudou os nomes da disputa, mas não a natureza do problema.

E o problema tem um teto conhecido. Na maior coorte dedicada exclusivamente a olhos curtos já publicada com 18 fórmulas, nenhuma delas ultrapassou a marca de aproximadamente 73% dos olhos dentro de ±0.50D, mesmo com constantes otimizadas.5 Com biometria por soma de segmentos, o melhor resultado publicado em olhos curtos alcançou 80.8%.6 Para efeito de comparação, em olhos de dimensões médias as mesmas fórmulas modernas superam com folga os 80% na mesma métrica. O olho curto é, portanto, o teste de estresse por excelência de qualquer fórmula: é nele que as premissas escondidas aparecem.

Ponto-Chave

No olho curto, o erro refrativo pós-operatório não nasce de uma única causa: nasce da multiplicação de pequenos erros de medida por um sistema óptico que os amplifica. Cada décimo de milímetro de incerteza vale mais dioptrias do que valeria em qualquer outro olho.

2. Definições: Do Olho Curto ao Nanoftalmo

A expressão "olho curto" abriga entidades clínicas distintas, e a distinção importa porque o comportamento das fórmulas muda ao longo do espectro. No extremo mais comum estão os olhos hipermétropes com AL entre 21.00 e 22.00mm, anatomicamente proporcionais, nos quais as fórmulas modernas ainda operam perto do seu melhor desempenho. Na faixa intermediária, de 18.50 a 21.00mm, o olho é francamente curto: a potência de LIO exigida sobe para 30D a 40D e os mecanismos de amplificação de erro discutidos na próxima seção dominam o resultado.

No extremo inferior está o nanoftalmo, olho estruturalmente anormal, de dimensões globalmente reduzidas, esclera espessada e câmara anterior rasa, frequentemente exigindo potências acima de 40D. Há ainda o microftalmo anterior relativo (RAM), no qual o segmento anterior é desproporcionalmente pequeno para um comprimento axial quase normal. O estudo comparativo de Lin e colaboradores demonstrou que essas duas entidades se comportam de maneira diferente diante das mesmas fórmulas, com o nanoftalmo verdadeiro produzindo erros substancialmente maiores que o RAM.7

Tabela 1. O espectro do olho curto e suas implicações para o cálculo
CategoriaFaixa aproximada de ALPotência típica de LIODesafio dominante
Curto leve (hipermétrope comum)21.00 a 22.00mm24 a 30DPrecisão exigida pelo paciente hipermétrope
Curto franco18.50 a 21.00mm30 a 40DAmplificação do erro de ELP e de AL
Nanoftalmoabaixo de 18.50mmacima de 40DAusência de fórmula validada; risco cirúrgico próprio
Microftalmo anterior relativo (RAM)quase normalvariávelSegmento anterior raso distorce a predição da ELP

Os limiares numéricos variam entre autores e não devem ser lidos como fronteiras biológicas rígidas. O que importa ao cirurgião é reconhecer em qual região do espectro o olho está, porque a estratégia de cálculo, o aconselhamento do paciente e o próprio risco cirúrgico mudam de uma região para outra.

3. A Óptica da Amplificação do Erro

3.1 A fórmula de vergência e suas derivadas

Toda fórmula teórica de cálculo de LIO, das clássicas às atuais, tem no núcleo a mesma equação de vergência paraxial. Para um objeto no infinito, com a córnea reduzida a uma lente fina de poder K e a LIO posicionada à distância ELP (posição efetiva da lente) do vértice corneal, a potência que produz emetropia é:

PLIO = n / (AL − ELP) − K / (1 − (ELP / n) · K)
n = índice de refração do aquoso e vítreo (1.336); AL e ELP em metros; K e P em dioptrias.

O primeiro termo é a vergência necessária para focar na retina a partir do plano da LIO; o segundo é a vergência que a córnea já entrega nesse plano. A aparência inofensiva da equação esconde o seu comportamento nos extremos. Derivando o primeiro termo em relação ao comprimento axial:

∂PLIO / ∂AL = − n / (AL − ELP)²
A sensibilidade da potência ao AL cresce com o inverso do quadrado da distância entre a LIO e a retina.

O denominador ao quadrado é o coração do problema. Em um olho de 20.0mm com ELP de 4.0mm, a distância da LIO à retina é de 16.0mm e a derivada vale cerca de 5.2D por milímetro no plano da LIO. No olho médio de 23.5mm com ELP de 4.5mm, a mesma derivada cai para 3.7D por milímetro. O olho curto não apenas exige mais potência: ele responde com mais violência a cada erro de medida ou de predição.

3.2 O custo refrativo de cada erro

A consequência clínica se mede no plano dos óculos. Em um olho esquemático com córnea de 44D e vértice de 12mm, um erro de 1.0mm na medida do comprimento axial produz cerca de 3.9D de erro refrativo no olho de 20.0mm, contra 2.7D no olho de 23.5mm. A biometria óptica moderna reduziu o erro típico de AL para a casa dos centésimos de milímetro, o que contém esse termo; o mesmo não pode ser dito da ELP, que não é medida, e sim prevista.

É na ELP que a amplificação se torna cruel. Um desvio de apenas 0.25mm entre a posição prevista e a posição real da lente produz 0.62D de erro refrativo no olho de 20.0mm, 0.31D no olho de 23.5mm e apenas 0.16D no olho míope de 26.0mm. O mesmo erro de predição, que passa despercebido no olho longo e é tolerável no olho médio, consome sozinho todo o orçamento de precisão de ±0.50D no olho curto. A Figura 1 quantifica as duas curvas.

Amplificação do erro em função do comprimento axialAmplificação do Erro no Olho Curto (olho esquemático)Erro de 1.0mm no AL (D no plano dos óculos)0123451921232527Comprimento axial (mm)olho curto3.9D2.7DErro de 0.25mm na ELP (D no plano dos óculos)00.20.40.60.81921232527Comprimento axial (mm)olho curto0.62D0.31DFaixa sombreada: AL abaixo de 22.0mm. Pontos destacados: AL 20.0 e 23.5mm.
Figura 1. Custo refrativo, no plano dos óculos, de um erro de 1.0mm no comprimento axial (esquerda) e de 0.25mm na predição da ELP (direita), em função do AL. Cálculo de vergência paraxial em olho esquemático: córnea de 44D, n 1.336, vértice 12mm, ELP crescendo de 4.0mm (AL 20) a 5.05mm (AL 27). O mesmo erro de ELP custa duas vezes mais no olho de 20.0mm do que no olho médio e quatro vezes mais do que no olho longo.

3.3 O desacoplamento anatômico

Se a física amplifica os erros, a anatomia do olho curto os fabrica. O segmento anterior não encolhe na mesma proporção que o comprimento axial: um cristalino cataratoso de 4.5mm de espessura ocupa quase um quarto de um olho de 20.0mm, contra cerca de um quinto de um olho médio. A câmara anterior resultante é rasa, e a razão entre as estruturas foge da faixa em que os preditores de ELP foram construídos.3,8

Esse é o ponto cego estrutural das fórmulas: os modelos de predição da ELP, sejam regressões clássicas ou camadas de aprendizado modernas, são treinados majoritariamente em olhos de dimensões médias. No olho curto, eles operam em regime de extrapolação, exatamente na região onde a Figura 1 mostra que cada décimo de milímetro previsto errado custa mais caro. A combinação é perversa por construção: a predição é menos confiável justamente onde o seu erro é mais amplificado.

Comparação anatômica entre olho médio e olho curtoO Desacoplamento Anatômico do Olho CurtoOLHO MÉDIO (AL 23.6mm)cristalinoACD 3.1AL 23.6mmcristalino ≈ 1/5 do ALOLHO CURTO (AL 20.0mm)cristalinoACD 2.4AL 20.0mmcristalino ≈ 1/4 do ALmesmo cristalino,olho menor
Figura 2. Representação esquemática do desacoplamento anatômico. O cristalino mantém dimensões quase constantes enquanto o olho encurta, ocupando fração progressivamente maior do comprimento axial e comprimindo a câmara anterior. Os preditores de ELP, construídos em olhos de dimensões médias, extrapolam nessa região. Valores ilustrativos.

4. A Evidência: Cinco Metanálises, Quatro Veredictos

A pergunta natural do cirurgião é direta: qual fórmula usar no olho curto? A resposta honesta da literatura é menos direta do que os rankings sugerem. As coortes dedicadas compararam as fórmulas disponíveis em olhos curtos sem produzir um vencedor que se repetisse de estudo para estudo,5,8 e, quando a evidência é agregada em metanálises, o padrão se reproduz em escala maior.

Tabela 2. Metanálises de fórmulas de LIO em olhos curtos: os veredictos divergem entre as sínteses
MetanáliseAnoDesenhoConclusão principal
Shrivastava et al.12022Metanálise pareadaNenhuma fórmula demonstrou superioridade estatística
Luo et al.92022Metanálise de fórmulas novasPEARL-DGS com o melhor desempenho pontual
Zheng et al.102025Metanálise em rede (756 olhos)PEARL-DGS no topo do ranking para ±0.50D
Wang et al.112025Metanálise pareadaEVO com o melhor desempenho agregado
Zhang et al.22026Metanálise em rede (1178 olhos)Kane, Haigis e Olsen entre as melhores

Cinco sínteses da mesma literatura, quatro veredictos diferentes.1,2,9,10,11 A explicação não é incompetência metodológica de nenhum dos grupos: é que as diferenças de erro absoluto entre as fórmulas do topo, tipicamente da ordem de centésimos de dioptria, são menores do que o ruído de medição e do que a variabilidade entre coortes. Quando a distância entre o primeiro e o quinto colocado é dessa magnitude, o ranking passa a ser decidido pela composição da amostra, e não pela qualidade intrínseca da fórmula.

Entre as fórmulas consistentemente presentes no pelotão da frente estão a Cooke K6, a Kane, a PEARL-DGS e a EVO, ao lado de clássicas bem otimizadas como a Haigis e a Olsen.2,5,10 A PEARL-DGS merece nota por ser a única do grupo com arquitetura publicada e código aberto,12 e a K6, desenvolvida por Cooke e Cooke após seu estudo comparativo de nove fórmulas, destaca-se pelo desempenho estável em toda a faixa de comprimentos axiais e pela disponibilidade pública da calculadora.13,14

Atenção Clínica

Não existe fórmula dominante em olho curto. O estado da arte é um pelotão, não um campeão. A conduta responsável é calcular com duas ou três fórmulas modernas desse pelotão e investigar ativamente qualquer discordância relevante entre elas antes de definir a LIO.

5. Nanoftalmo: Onde a Evidência Termina

Abaixo de aproximadamente 18.50mm de comprimento axial, a discussão anterior muda de natureza, porque a própria evidência acaba. A série de Lin e colaboradores, uma das poucas dedicadas ao nanoftalmo verdadeiro, encontrou mediana de erro absoluto de 1.61D no melhor cenário, um resultado que seria inaceitável em qualquer outra população e que ali representa o teto publicado.7 As fórmulas mais recentes simplesmente não foram validadas nessa faixa; várias implementações públicas sequer retornam resultado para as potências extremas que esses olhos exigem.

Duas linhas de investigação merecem atenção nessa fronteira. A primeira é a biometria por soma de segmentos, que mede cada compartimento do olho com seu próprio índice de refração em vez de aplicar um índice médio ao trajeto inteiro: além do ganho geral demonstrado em olhos curtos,6 a adição de soma de segmentos às fórmulas modernas elevou a fração dentro de ±0.50D para até 84.2% em olhos com AL de até 21.00mm em série recente.15 O caminho, porém, exige a medição real dos segmentos: a tentativa de aproximar o efeito por nomograma, sem medir, não reproduziu o benefício.16

A segunda linha é o papel da espessura do cristalino (LT). A evidência atual sugere uma nuance importante: incluir a LT reduz o viés miópico sistemático das fórmulas em olhos curtos, mas não melhora de forma consistente o erro absoluto individual.17 Em outras palavras, a LT corrige a direção média do erro da população, não a dispersão de cada olho, e deve ser lida como refinamento, não como solução.

6. A Abordagem MIOLO: Física Primeiro, MLF Depois

6.1 Arquitetura conceitual

A fórmula MIOLO trata o olho curto como um problema de engenharia de precisão, e a sua arquitetura reflete as lições das seções anteriores. O núcleo é determinístico e óptico: a mesma física de vergência da Seção 3, com a potência respondendo ao comprimento axial, à ceratometria, à profundidade de câmara anterior e à constante da lente. Sobre esse núcleo opera o MLF (Machine Learning Factor), a camada proprietária de aprendizado da plataforma, que ajusta a predição exatamente nas regiões em que os modelos puramente teóricos extrapolam, entre elas a faixa de olhos curtos.

Duas decisões de projeto definem o comportamento da fórmula nessa faixa. A primeira é que o MLF é um corretor limitado, não um substituto da óptica: cada versão do motor precisa atravessar uma bateria de invariantes físicas, que verifica monotonia e continuidade da resposta a cada variável biométrica em uma grade ampla de combinações, antes de chegar à plataforma. A segunda é a regra de que a paridade nunca regride: nenhuma versão nova é publicada se piorar a concordância com as referências consolidadas em qualquer região já validada do envelope biométrico.

6.2 Concordância com o estado da arte em olhos curtos

Se a Seção 4 mostra que o estado da arte em olho curto é um pelotão de fórmulas separadas por centésimos de dioptria, a pergunta correta a se fazer a qualquer fórmula é se ela caminha com esse pelotão. Para responder de forma auditável, comparamos a potência de emetropia do MIOLO com a da Cooke K6, calculada na implementação pública oficial,14 em uma grade de 25 biometrias sintéticas de olho curto cobrindo AL de 18.50 a 20.50mm, ceratometria média de 42 a 46D, ACD de 2.0 a 3.2mm e constante A de 118.0 a 119.3.

O resultado: diferença média absoluta de 0.03D, diferença máxima de 0.08D e 25 dos 25 pontos dentro de 0.10D. Em toda a grade, a discordância entre as duas fórmulas ficou uma ordem de grandeza abaixo do menor degrau de potência fabricado (0.50D). A Figura 3 mostra a dispersão completa e a Tabela 3 detalha casos representativos.

Concordância entre MIOLO e Cooke K6 em olhos curtosPotência de Emetropia: MIOLO versus Cooke K6 (25 biometrias de olho curto)303032323434363638384040Cooke K6 (D)MIOLO (D)identidade (y = x)Diferença média: 0.03DDiferença máxima: 0.08D25/25 dentro de 0.10D
Figura 3. Concordância entre a potência de emetropia do MIOLO e a da Cooke K6 (implementação pública oficial, versão K6v2024.01, sem LT)14 em 25 biometrias sintéticas de olho curto (AL 18.50 a 20.50mm). Cada ponto é uma biometria completa; a linha tracejada é a identidade. Todos os pontos ficam a 0.10D ou menos da identidade.
Tabela 3. Casos representativos da grade de concordância (potência de emetropia, em dioptrias)
AL (mm)K médio (D)ACD (mm)Constante ACooke K6MIOLODiferença
18.5044.02.4118.5339.7939.780.01
19.0042.02.4118.5339.3939.380.01
19.0046.02.4118.5335.2235.280.06
19.0044.02.0118.5336.8836.950.07
19.0044.02.4119.3039.0338.960.07
20.0044.02.4118.5332.8132.800.01
20.2143.92.2118.5331.8231.790.03
20.5044.02.4118.5330.7230.720.00

A linha destacada corresponde a uma biometria anônima de caso real de microftalmo (AL 20.21mm). Grade completa: 25 biometrias com cruzamento de emetropia, AL 18.50 a 20.50mm.

Uma nota de método, em nome da honestidade científica que norteia a plataforma: concordância de cálculo entre fórmulas não é desfecho clínico. Ela responde a uma pergunta diferente e anterior, a de saber se, na região em que as melhores fórmulas do mundo convergem entre si, o MIOLO converge junto. É o critério de sanidade que impede uma fórmula de inventar respostas próprias justamente onde o erro é mais caro. A validação contra refração pós-operatória real é um processo contínuo e permanente da plataforma, e nenhuma tabela de concordância a substitui.

Abaixo de aproximadamente 18.50mm, onde a Seção 5 mostrou que não existe alvo publicado confiável para potências extremas, o MIOLO adota deliberadamente um comportamento conservador, alinhado às referências estabelecidas de longa data para essa faixa, em vez de extrapolar um ajuste calibrado em outra região. Preferimos a previsibilidade auditável à falsa precisão.

Em Produção

MIOLO em Olhos Curtos: o MLF em Ação

O comportamento do MIOLO em olhos curtos descrito neste artigo está disponível hoje, gratuitamente, na calculadora da plataforma. O MLF (Machine Learning Factor) opera sobre o núcleo óptico determinístico da fórmula e é auditado, a cada versão, por uma bateria de invariantes físicas e por regressão completa contra as referências consolidadas.

Na faixa de 18.50 a 20.50mm de comprimento axial, a concordância com a Cooke K6 apresentada na Figura 3 é parte da suíte de qualidade da plataforma: nenhuma versão futura do motor pode regredi-la.

7. Recomendações Práticas para o Cirurgião

Da física, da evidência e da experiência da plataforma, destilamos recomendações organizadas por região do espectro do olho curto.

Tabela 4. Recomendações práticas por faixa de comprimento axial
AspectoCurto leve (21 a 22mm)Curto franco (18.5 a 21mm)Nanoftalmo (< 18.5mm)
Estratégia de cálculo2 fórmulas modernas do pelotão da frente3 fórmulas modernas; investigar discordância antes de decidirMúltiplas fórmulas como faixa de referência, nunca como resposta única
BiometriaÓptica de rotina, conferidaRepetir a medição; conferir ACD e consistência entre olhos; soma de segmentos quando disponívelDuas tecnologias de medição se possível; escrutínio máximo de cada parâmetro
Alvo refrativoEmetropiaEmetropia a levemente miópicoIndividualizado; discutir alvo miópico e faixa de incerteza com o paciente
Expectativa honestaPróxima do olho médio70 a 80% dentro de ±0.50D no melhor cenário publicadoErro mediano publicado da ordem de 1.5D; aconselhamento obrigatório
AlertasPaciente hipermétrope tolera mal a surpresa hipermetrópicaACD rasa; câmara estreita; atenção à predição de ELPRisco cirúrgico próprio da anatomia; planejamento multidisciplinar

Expectativas derivadas de Voytsekhivskyy et al., 2021,5 Shammas et al., 2022,6 Helaly et al., 202515 e Lin et al., 2023.7

Regra Prática

No olho curto, entre dois degraus de potência, escolha o mais alto. O paciente hipermétrope de vida inteira tolera uma leve miopia residual e não perdoa a hipermetropia pós-operatória, que reproduz exatamente o defeito que ele esperava deixar na mesa cirúrgica.

8. Conclusão

O olho curto condensa, em poucos milímetros, tudo o que torna o cálculo de LIO uma disciplina exigente: uma física que eleva ao quadrado o preço de cada erro, uma anatomia que empurra os preditores para fora do território em que foram construídos e uma evidência que, lida com rigor, coroa um pelotão em vez de um campeão. Nenhuma fórmula isolada resolve o olho curto; o que existe é um estado da arte coletivo, separado por centésimos de dioptria, e a obrigação de cada fórmula é demonstrar, com dados auditáveis, que caminha dentro dele.

É essa a régua que aplicamos ao MIOLO. Na faixa em que o estado da arte converge, a fórmula converge junto, com concordância média de 0.03D em relação à Cooke K6; na faixa em que a evidência termina, ela escolhe a prudência auditável em vez da extrapolação. E, porque o motor combina um núcleo óptico determinístico com o MLF sob invariantes físicas e regressão permanente, cada avanço futuro terá de provar que não custa nada do que já foi conquistado. No olho curto, mais do que em qualquer outro, precisão é uma promessa que se renova a cada décimo de milímetro.

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Experimente
O olho curto não perdoa aproximações. Calcule com precisão.
A fórmula MIOLO está disponível gratuitamente na plataforma MIOLO.AI. Compare os resultados com suas fórmulas habituais, inclusive nos seus casos de olho curto, e tire suas próprias conclusões.

Conflitos de interesse: Bruno L. Miolo é desenvolvedor da plataforma MIOLO.AI. Nenhum financiamento externo foi recebido para a elaboração deste artigo.

Nota metodológica: os valores da Figura 1 derivam de cálculo de vergência paraxial em olho esquemático, com premissas declaradas na legenda. Os dados da Figura 3 e da Tabela 3 derivam de consultas à calculadora pública oficial da Cooke K6 e ao motor MIOLO nas mesmas biometrias sintéticas, sem qualquer dado de paciente identificável.

Como citar: Miolo BL. Cálculo de LIO em Olhos Curtos: A Física da Amplificação do Erro e o Estado da Arte da Precisão. MIOLO.AI Blog. Agosto 2026. Disponível em: https://miolo.ai/article/iol-olhos-curtos

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